Resenha: Jung e o Tarot
Encerrando a leitura do meu trio inicial de livros sobre Tarot, conclui Jung e o Tarô - Uma jornada arquetípica, de Sallie Nichols (você pode adquiri-lo na Amazon e apoiar esse blog por meio desse link de associado).
Similar a outras estruturas observadas, a autora começa fazendo uma introdução do Tarot (história e conceito), passa pelas cartas (tratando aqui, especifica e unicamente dos Arcanos Maiores) e apresenta ao fim sua sugestão de tiragem.
O esquema de organização apresentado no livro isola O Louco e distribui os demais arcanos em três fileiras. Nessa representação, as fileiras correspondem a:
- Reino dos Deuses;
- Reino da Realidade Terrena e da Consciência do Ego; e
- Reino da Iluminação e Autorrealização.
Além de cada carta na fileira simbolizar um passo em seu tema (reino) específico e na jornada como um todo, cada uma delas também estabelece relação com as cartas posicionadas (se houver) logo acima e logo abaixo delas. De forma geral,
- as cartas do topo evocam algum assunto espiritual, que é mediado com
- as cartas do fundo, que evocam conhecimento profundos e inconscientes,
- através das cartas da segunda fileira, que esboçam, cada uma à sua forma, estruturas de equilíbrio.
Traçando estudos comparativos, o livro frequentemente aborda outras versões das cartas do tarot, além do Tarot de Marselha, utilizado aqui como referência principal. Assim, diferentes visões e detalhes, muitas vezes postos em ênfase, do mesmo retrato podem ser exploradas.
Recheado de obras de artes, entre elas trechos de poemas, indicações de obras literárias, letras de música, esculturas e pinturas, fica estruturado um apanhado de referências que, fazendo também menções a história e a conceitos religiosos e psicanalíticos, amplia o entendimento de cada arcano.
Outro ponto de atenção fica com as reflexões e críticas sociais entremeadas no texto. A autora trata, nesses momentos, sobre a preservação da individualidade, os perigos do comportamento de massa e como está posta a visão moderna a respeito de temas como misticismo, ciência e religião.
Ao fim do livro, algumas observações sobre cartomancia e interpretações são feitas e um modelo de "carteamento" é indicado, o Oráculo das Nove Cartas:
Relacionando muito bem o trajeto das cartas com uma história de amadurecimento psíquico e com elementos culturais, o livro é um convite bastante pertinente à reflexão. Vale advertir que a linguagem, por vezes, se apresenta rebuscada, mas também sinalizar que a análise do conjunto é certamente bem acurada.







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