Resenha: O caminho do Tarot
Um dos livros que comprei para iniciar meus estudos em Tarologia foi O Caminho do Tarot, de Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa (você pode adquiri-lo na Amazon e apoiar esse blog por meio desse link de associado). Outros dois que encomendei foram O Tarot Mitológico, de Julie Sharman-Burke e Liz Greene, que já tem uma resenha aqui nesse blog, e Jung e o Tarô, de Sallie Nichols, o próximo na minha lista de leitura.
O livro tem 576 páginas, sendo bem extenso. Tem uma apresentação, por Marianne Costa, explicando a proposta e o conteúdo do livro, e uma Introdução, por Alexandre Jodorowsky, que conta sua história com o Tarot. A organização é feita por partes:
Primeiramente, é exposta a estrutura e a numerologia do Tarot: é feita a diferenciação entre os Arcanos Maiores e Menores e uma divisão em duas séries dos Arcanos Maiores, definidas por uma que vai das cartas I a X e outra das cartas XI a XX, baseadas em uma progressão que segue, no primeiro caso, em direção ao cosmos e à vida espiritual, e no segundo, em direção às profundezas do inconsciente.
Logo após, é observado que o Tarot tem uma notação numérica unicamente progressiva (os números romanos nunca são obtidos por subtração. como em IV; em vez disso, funcionam sempre de maneira aditiva, como em IIII) e é feita uma análise da carta do mundo, que centraliza os conceitos de céu e terra, passividade e receptividade, e núcleo essencial. Os naipes são explicados nas páginas seguintes, sendo relacionados ao que chamam de "quatro energias vitais humanas" (intelecto, emoção, sexualidade/criatividade e matéria) e a esses mesmos conceitos.
Em seguida, é ensinado um esquema retangular de numerologia, pensado de forma decimal, em que é posta uma dinâmica de 10 graus. Cada Arcano representará, então, um grau em uma escala que vai, alternando entre ação (ímpares) e recepção (pares), do mais terreno (material) ao mais elevado (espiritual).
Os naipes foram ordenados em Espadas, Copas, Ouros e Paus, partes sequenciais de um mesmo ciclo. É indicado um exercício de construção de uma mandala, com o objetivo de um ganho de familiarização com a totalidade do baralho e sua estrutura global.
Ao fim da seção, o simbolismo das cores é abordado, com seus sentidos positivo e negativo e os arranjos que pode assumir. Essa relação de sentido será retomada ao longo da análise das ilustrações, sobretudo indicando marcas de atividade e passividade.
Na Segunda Parte, os Arcanos Maiores são, um a um, apresentados, após um texto narrando a jornada de estudo e desenvolvimento espiritual que o autor traçou enquanto conhecia o tarot. Há uma observação sobre os nomes dos arcanos, que em francês dariam margem para diversas interpretações e da convenção ali adotada. A carta Os Namorados é trazida aqui no singular, como O Namorado e a carta da Morte vem como O Arcano sem nome ou Arcano XIII (essa carta é a única dos Arcanos maiores que vem sem o título indicado).
A apresentação é feita de 4 modos: as palavras-chave com os significados tradicionais, um texto discursivo com um olhar apurado para os detalhes das cartas, interpretações comuns em leituras e um texto que dá voz a cada um dos arcanos, imaginando o que diriam se pudessem falar.
Na Terceira Parte, os Arcanos Menores são apresentados primeiro por grau, significando cada grau e o sentido que ocupam em cada naipe e depois resumidos por naipe, com a sequência já abordada. O mesmo ocorre com as cartas da corte, que começam sendo apresentados figura a figura e depois são resumidos naipe a naipe.
Na Quarta Parte, para iniciar o exercício de associação das cartas, são abordados vários possíveis emparelhamentos: os duos das duas séries decimais, os casais do Tarot, os pares cuja soma resulta em XXI, valor da carta O Mundo, que encerra o ciclo dos Arcanos Maiores, alguns pares de cartas sucessivas e alguns pares formados atentando-se para a transformação que certos símbolos passam de uma carta para outra.
A última seção, Quinta Parte, aprofunda a Leitura do Tarot, norteando os primeiros passos e demonstrando diferentes padrões de leitura, para três, quatro, dez cartas ou mais.
O livro fecha com importantes conclusões sobre o "pensamento tarótico", maneiras de captar o mundo e os outros. São postas aqui reflexões sobre como a mudança, para além de nosso controle, é contínua, de que cada pessoa é única no mundo, a necessidade da superação de definições pessoais, o desenvolvimento da capacidade de se pôr no lugar de outros, o perigo da generalização, a impossibilidade de um conhecimento completo e a infinitude do próprio mundo.
Ao final, ficam evidentes, então, as responsabilidades e o comportamento ético que devem ser adotados por um tarólogo, a importância de se treinar o olhar para que haja ternura e imparcialidade, de se ter curiosidade no lugar de uma imposição e de ser capaz de, contando com as próprias experiências de dor, compreender melhor as dores alheias.
Resta dizer, depois de todo esse caminho, que o livro é definitivamente riquíssimo em detalhes. Constitui, com certeza, um manual bem completo, instigante e aprofundado. O tom pessoal dado pelas narrativas do autor e a exposição de seus próprios questionamentos ao longo de sua jornada, além da linguagem poética, contribuem para uma leitura gradativa e muito ligada a um caráter contemplativo. Nesse sentido, o livro foge de postulados objetivos e estancados, convidando o leitor a encontrar também sua própria rede de interpretação.
Por estabelecer métodos de organização do conjunto bem estruturadas, também facilita a assimilação de conceitos e uma visão coesa do todo apreciado. Equilibra, assim, um chamado para criatividade, aprendizagem contínua e disposição ética, com uma visão sistemática e granularizada da prática.

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