Resenha: O Tarot Mitológico

Comprei recentemente três livros para iniciar meus estudos em Tarologia. Um deles foi O Tarot Mitológico, de Julie Sharman-Burke e Liz Greene, sobre o qual comentarei nessa postagem (você pode adquiri-lo na Amazon e apoiar esse blog por meio desse link de associado). Os outros dois, que também devem receber postagens futuramente são O Caminho do Tarot, de Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa; e Jung e o Tarô, de Sallie Nichols.

 


O livro vem em um box acompanhado de 78 lâminas coloridas, com figuras que combinam as representações do Tarot com passagens de mitos gregos.

O livro está organizado em: 
  • uma introdução, comentando a origem do Tarot e a proposta do Tarot Mitológico; 
  • a apresentação de cada uma das cartas, começando pelos arcanos maiores e passando pelas cartas numeradas e as cartas da corte de cada um dos quatro naipes que integram os arcanos menores; e
  • um guia de leitura, delimitando o uso do tarot, aconselhando o tratamento a ser empregado com ele e a explicação de um modelo de abertura, conhecido como Cruz Celta.
Considerei o conteúdo do livro bastante rico e sua linguagem bastante acessível e envolvente. Semelhante ao baralho de Rider Waite, todos os arcanos possuem ilustrações. Para cada um dos 22 arcanos maiores, foi atribuído um personagem ou um mito grego, como demonstra a tabela a seguir:


As páginas descrevem as cartas, apontam seus detalhes, narram os mitos a que correspondem, a situam num contexto narrativo maior, do caminho atravessado pelo Tarot e apresentam seu significado, em seu aspecto positivo (equilibrado) e negativo, a nível interior (psicológico) e divinatório (preditivo). As cartas, diferentes das que compõem os tarots de Marselha e Rider Waite, não possuem números, então não há uma referência numerológica na atribuição de seus significados.


As descrições são claras e é traçada uma jornada coerente, na qual o Louco ruma encontrando seus pares e se desenvolvendo em uma viagem de crescimento e autoconhecimento. São feitas, nas descrições, relações entre o conteúdo narrado, suas marcas e momentos da vida pelos quais todos podemos passar.

Um resumo em vídeo, carta a carta, foi feito no canal do Youtube da Pri Ferraz, o Diário da Bruxa, comentando as conexões entre os arcanos maiores tradicionais e os mitológicos, que se dispõem de uma maneira muito acertada:


Quanto aos arcanos menores, para cada naipe foi atribuído um mito que se desenvolve através das cartas numeradas:
  • Copas: Eros e Psiquê
  • Espadas: Orestes e a maldição da Casa de Atreu
  • Paus: Jasão e os Argonautas em busca do Velociono de Ouro
  • Ouros: A história de Dédalo
E por fim, as cartas da corte possuem, cada uma, sua própria figura:


O resultado desse entrelace de conceitos e histórias é um material muito interessante e proveitoso para uma iniciação. O mergulho narrativo torna a experiência de explorar as cartas bastante imaginativo, o que pessoalmente gosto bastante.

Sempre considerei mitologia/folclore e outras manifestações culturais muito potentes em suas mensagens e encerramentos morais, uma maneira bastante eficaz de permear com ensinamentos a visão de mundo dos grupos que as cultivam, além de representar e registrar bem modos pelos quais a humanidade se relaciona consigo e seu próprio meio.

Nessa mesma linha, o autor conclui o livro estabelecendo um paralelo entre o Tarot, a mitologia como uma forma de sabedoria antiga e a própria Psicologia Moderna, que chama atenção para o inconsciente, em respeito a sentidos naturais e humanos que levamos conosco — e que, com muito zelo, podemos utilizar para abraçar e compreender a nós mesmos, nossas fases, acontecimentos e o mundo.

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